ONÇAS ATACAM ÍNDIOS NO XINGU


Na FSP de 25-11-18
Rodrigo Vargas
Ataques de onças a índios no parque do Xingu levam a força-tarefa inédita
            Li a manchete na UOL, fiquei curioso, fui conferir e caí na FSP. Em resumo, houve ataques de onça a índios na reserva do Xingu.Tentei copiar a matéria para ler depois mas a FSP só permite compartilhar o link. Só restou imprimir, o que não é vedado. Meno male.
            Em resumo, num período de 8 meses (maio a novembro/2018), houve 4 (1 por bimestre) ataques de onças dos quais resultaram duas mortes. Se imaginarmos que nas grandes cidades brasileiras há dezenas de assaltos à mão armada POR DIA o evento do Xingu não mereceria sequer nota de rodapé. Acontece que os assaltos são perpetrados por gente e não por onças. O “cachorro perseguiu o gato” não dá manchete, mas o inverso dá. Deve ser. O Flavio, sócio desta publicação, é do ramo e pode falar melhor.  
              A notícia em si não traz nada de interesse especial exceto ficarmos sabendo merecer o assunto a atenção de órgãos públicos que, através de câmeras-armadilha, fotografaram 5 onças pintadas andando por 300 km quadrados (17,3 x 17,3 km) da reserva, entre elas um macho, já escalado para o papel de principal suspeito, por aparecer mais que as fêmeas nas tais fotos. De posse das fotos, montou-se uma “força-tarefa” de técnicos da FUNAI e da ICMBio (a matéria não informa do que se trata, mas o Dr. Google diz se tratar do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, órgão desmembrado do IBAMA pela Lei 11.516/2007, e integrante do Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama). Muito fofo). O objetivo do grupo é capturar os animais suspeitos antes que os indígenas tentem abatê-los para resolver o problema. Dinheiro nos falta, mas órgãos públicos de utilidade discutível nos sobra. Além do mais, aos índios, como também aos brancos, é proibido defenderem-se por conta própria e precisarem da assistência de burocratas especialistas.
            O avanço do desmatamento é apontado como uma possível causa dos ataques, por ter encurralado os animais à área da reserva, (a lógica do argumento só se sustenta se ela for diminuta) de que falarei mais à frente.
            Para desespero da equipe do Paulo Guedes, que pretende desbravar o cipoal público nos próximos 4 anos, as siglas vão se enfileirando na matéria: FUNAI, ICMBio, CGPC (Coordenação Geral de Promoção da Cidadania, da FUNAI), NEX (uma ONG privada de proteção animal), ISA (Instituto Socioambiental), ATIX (Associação Terra Indígena do Xingu) e CENAP/ICMBio (Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros). Se você não sabia da existência desses portentos burocráticos fique sabendo que eu também não. E menos ainda os brasileiros que pagam (nos órgãos públicos com certeza, e nas ONGs privadas com boa probabilidade) o salário dessa gente tão indispensável.  
            Por último a cereja do bolo. A matéria nos informa que a reserva do Xingu tem 2,8 milhões de hectares e abriga 6.000 indígenas de 16 etnias diferentes. Vamos detalhar:
            . 2,8 milhões de hectares equivalem a uma área de aproximadamente 167 x 167 Km, ou, arredondando, 64 % da área do Estado do Rio de Janeiro, onde moram mais de 17 milhões de pessoas;
            . cada índio do Xingu ocupa uma área de aproximadamente 467 hectares, o que é uma razoável propriedade até em termos mato-grossenses . No Rio de Janeiro é um baita fazendão. Se alguém chamar os índios do local de latifundiários não estará exagerando. Em moeda, uma propriedade deste porte valeria no MT perto de 10 milhões de reais;
            . cada etnia tem uma média de 375 indivíduos, o que cabe em 10 ônibus.
         Não consegui descobrir o que se produz na reserva, mas a prudência aconselha estimar que, além de mandioca artesanal, deverá ser quase nada. O que não impede a proliferação de burocratas públicos e privados para prevenir que os índios não matem onças nem em autodefesa. 
            O Ponte Preta morreu muito moço, mas deveria durar enquanto durasse a estupidez brasileira.  

Addessandre   

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