“OS IDIOTAS DOMINARÃO O MUNDO” – NELSON RODRIGUES


“Os idiotas dominarão o mundo” – Nelson Rodrigues

“Os idiotas dominarão o mundo. Não pela inteligência, mas pela quantidade. Eles são muitos"
RODRIGUES, Nelson.
        
        Se ele escreveu mesmo não sabia, mas a frase lhe é atribuída. O amigo Claudio Piratelli – italiano nascido em Iacri (SP) - a repassou e fui conferir antes de comentar. Ela se inclui entre as muitas outras que lhe são atribuídas. A primeira reação é bater continência e dizer SIM SENHOR!!
Mas, pensando melhor, o que é mesmo que o Nelson entendia por um idiota? Pois é. Há o idiota da medicina psiquiátrica, que é aquele que sofre de atraso intelectual profundo, caracterizado por ausência de linguagem e nível mental inferior ao da idade normal de três anos, e muitas vezes acompanhado de malformações físicas. Há o idiota do Aurélio que é o pouco inteligente, estúpido, ignorante, imbecil, tolo, pretensioso, afetado.
Até onde sei o Nelson não definiu expressamente o que entendia por um idiota, mas dos seus escritos parece ser possível deduzir, por exclusão, que certamente ele não falava do idiota clínico; também não deveria se referir aos pouco inteligentes de nascença ou ainda aos que não tiverem educação formal ou autodidata que normalmente são pessoas simples, despretensiosas e decentes. Assim, por exclusão, o idiota para o escritor seria o ignorante metido a sabichão incapaz de perceber as maiores falácias e acreditar nelas como se fosse a palavra divina. E pior: divulgá-las e tentar convencer terceiros incautos.
Em 1997 foi publicada no Brasil a tradução de um livro de 3 autores latino americanos que tomou o título de Manual do Perfeito Idiota Latino Americano, cujo prefácio é assinado por Roberto Campos. Pois é. Salvo engano, o idiota rodrigueano é descrito em detalhes na referida obra, que teve continuação em 2007 com A Volta do Idiota.  
O perfeito idiota descrito no livro é o abestalhado que acredita nas bobagens contidas no As Veias Abertas da América Latina – por exemplo - que deve ter enriquecido a conta bancária e a biografia – na opinião de outros tão idiotas quanto ou mais que ele - do Eduardo Galeano. Li o livro no começo dos 80, emprestado por um colega que o recomendou como a definitiva explicação para a pobreza sul-americana. É claro que já não tinha – e depois de ler o livro passei a ter menos ainda - a inteligência do dito colega em alta conta. Se alguém tiver a curiosidade de saber o que contém o livro que vendeu como água e não tiver a paciência de lê-lo é só pedir que dele faço um resumo que cabe em um parágrafo.  
O Nelson não disse expressamente na frase em epígrafe que o número de idiotas estaria aumentando, mas é o que se pode deduzir da conclusão de que eles dominarão o mundo. Penso, neste particular, que a conclusão é discutível. É fato que já na época em que o Nelson teria lançado a frase famosa, os tais idiotas já eram uma expressiva maioria nas redações da imprensa e por isso se tornaram visíveis por quem com eles convivia como era o caso do jornalista e teatrólogo.
Atualmente, as comunicações pela internet e a proliferação dos cursos de jornalismo e humanas, principalmente história, filosofia e sociologia, jogando no mercado dezenas de milhares deles, a cada ano, aumenta-lhes o número e os torna ainda mais visíveis.
Não creio que venham a dominar o mundo como vaticinou o Nelson. Não por que não queiram ou não tentem, mas por que as receitas que pregam só funcionam – quando funcionam - durante certo tempo que varia de local para local. Em alguns lugares chega a várias décadas, o que seria algo de se admirar não fosse a capacidade de adaptação de certos governos e a resistência de um país à morte. Governos mudam suas políticas fingindo que as mantém e as pessoas aprendem a sobreviver nas mais terríveis condições. Exemplos há na vizinhança. 

addessandre 

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