ABORTO NA
VEJA – PARTE I
A visão dos seus
defensores
O aborto tem muitos defensores e seus argumentos são conhecidos, mas
esparsos. É hora de escrever algo a respeito tendo como fonte matéria de 8
páginas da VEJA de 15-08-18, assinada por Luisa Bustamante, Fernando Molica e
Thais Navarro. A escolha desta matéria é óbvia: ela resume os
argumentos dos defensores o que facilita o trabalho do comentarista.
Para começar a chamada em letras garrafais:
O DIREITO DE CADA UMA
Ação no STF propõe que o aborto até
doze semanas de gestação deixe de ser considerado crime. Não é uma questão de
ética nem de religião – é de vida ou morte.
Já
no título e no lead se pode intuir com segurança o que virá a seguir. E o
amadorismo começa no lead: ação no STF propõe!!! Desde quando
ação judicial propõe alguma coisa? A matéria é confusa e
vai jogando números e argumentos para o alto sem qualquer preocupação didática,
mas, em resumo, critica a proibição legal do Aborto no país e defende sua
legalização. Vamos aos tópicos mais importantes
01 – No país, cerca de 500.000 mulheres interrompem a gravidez todos os
anos e a cada 2 dias uma mulher morre de complicações decorrentes de
procedimentos mal feitos.
A matéria não informa se estão incluídos nos 500.000 os abortos legais e
os espontâneos. O número de óbitos, entretanto, se refere a procedimentos mal
feitos. De se concluir que os 500.000 se referem a abortos ilegais. Em frente.
O número de mortos certamente existe já que para se sepultar alguém é
necessário atestado de óbito registrado em cartório. Já o numero de mulheres
que abortam sai de onde? A reportagem se dispensa de informar.
Supondo-se que os números espelhem razoavelmente a verdade, teríamos 1.370
abortos por dia. Se morre uma a cada dois dias significa uma morte a cada 2.740
abortos ou 0,0365 %. Isso é muito ou é pouco? A reportagem se
dispensa de comparar com outras causas de óbitos de modo que a informação
significa pouco ou nada.
02 - Segundo a OMS são realizados no mundo 25 milhões de interrupções de
gravidez em condições precárias a cada ano. Nos países onde a prática é crime
morrem 220 mulheres para cada 100.000 abortos realizados. Naqueles em que é
permitida, a mortalidade materna não passa de 1,7 para 100.000.
O
texto é, para não variar, impreciso, pois começa anunciando o número de abortos
precários por ano, mas não informa onde e de onde sai o número. Continua
dizendo que há 220 mortes para cada 100.000 abortos onde são ilegais (0,22 %) e
1,7 onde são legais (0,0017%).
No Brasil, como vimos, o percentual no primeiro caso é 0,0365 %, ou 6
vezes menor. Até que em alguma coisa estaríamos bem, caso os números fossem
confiáveis, o que não é garantido. A segunda informação (1,7 / 100.000) não existe
para o Brasil de modo que não se tem como comparar. Resta compararmos os
números fornecidos para o conjunto de países - 220 contra 1,7 – para concluiríamos
que as mortes por abortos ilegais são 129 vezes maiores que os legais. Essa
absurda disparidade leva a duvidar da solidez da informação.
03 – A taxa de mortalidade em decorrência do aborto por 100.000
“nascidos vivos” é de 3 entre as brancas, 5 entre as negras e 8,5 entre as de
baixa escolaridade.
O enunciado é uma mixórdia que não faz sentido. Vamos tentar dar-lhe
algum. Para começar o número 100.000 “nascidos vivos” significa o que além de
nada? Parece que se quer comparar mortes entre as negras com mortes entre as
brancas e mortes entre as de baixa escolaridade com as de alta escolaridade. Se
for assim, a morte entre as negras seria 1,67 vezes a de brancas e a morte
entre as de baixa escolaridade seria 8,5 vezes as de baixa.
ADDessandre
Continua..........
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